sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ao contrário da entrega!

Se já vivi a entrega total de uma mae, aqui vivo o abandono! Em Tacna, onde estou a trabalhar no Perú, passo as minhas tardes num lar de criancas que foram abandonadas pelos pais. Estas tem todas as idades, desde recem-nascidos a rapazese raparigas de 16, 17 anos. Sao oito lares e casa um tem mais ou menos 8 criancas e uma mae adoptiva que toma conta deles. Fazem tudo como se fossem uma familia e tratam uns dos outros como irmaos. Alguns lembram-se dos pais, outros vao ser adoptados, mas o mais incrivel e que se dao as pessoas com todo o amor que tem. Fui recebida com abracos, festejos, sou tratada por tia, mas pedi para me chamarem de Mafalda, sinto-me mais irma.
O meu coracao volta sempre apertado quando saio de lá, criancas lindas, cheias de bondade, que foram abandonadas. Nao consigo entender como uma mae consegue fazer isso, porque os filhos sao parte de si. Penso que estas pelo menos tiveram a oportunidade de viver neste sitio, onde tem irmaos e pessoas que lhes cuidam.
No outro dia estavamos a ordenar a roupa e eu perguntei de quem era uma t-shirt e uma rapariga de seis anos disse " es de bubu, mi hermanito más chico! Sabes Mafalda, acá tengo muchos hermanos!", senti que para ela essa era a coisa mais preciosa da vida, os olhos brilhavam quando dizia isto,  e guardei esta frase como o maior tesouro que podia levar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Chile de uma ponta a outra...

Sai de Santiago com rumo ao Peru! Uma viagem de 32h! O que se faz em tanto tempo?! Ia dar em louca, com quem vou falar, que  vou fazer??!! Mas afinal nao, passou a voar e o tempo acabou por ser pouco. Entre livros e ver a vista, dormir um pouco também a viagem pareceu-me mais rápido. Descobri um Chile que desconhecia, conheci o Oceano Pacifico, passei pelo deserto... Fiquei surpreendida, Santiago é uma ilha no meio do Chile, uma cidade que está completamente distante da realidade que se vive na America do Sul. Durante a minha viagem os prédios altos foram mudando para cabanas, casas de lata, os restaurantes passaram a roulotes ao longo da estrada, os cafes com internet desapareceram. Outro país, afinal se eu achava que as diferenca eram so dentro da cidade, estava enganada! Assim que sai percebi isso! Todo o dinheiro se concentra em Santiago e tudo o resto parece meio acessório!!
Um país lindo com tanto para descobrir e uma cidade que ofusca o resto do país! Espreitava por uma janela e tinha montanhas e pela outra um mar sem fim. Tive direito ao amanhecer no deserto e um por do sol na praia. Uma viagem que se parecia aborrecida acabou por me brindar com vistas e paisagens tao distintas que nem a maquina fotografica teve tempo de registar. 32h assim nao sao nada, passam a correr, voam, deixam-te muitas coisas para pensar, vontade de parar o tempo, de escrever e registar. 32h nao sao nada quando se quer conhecer e descobrir.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Antes de partir...

Escrevi, apaguei, voltei a escrever e apaguei. Sinal que a partida não é fácil, que há muitas coisas para dizer, mas que todas as palavras não chegam e se tenta explicar da forma mais simples que se consegue. Durante este último mês estive a viver no Chile, em Santiago. Fiquei em casa de uma família que não me conhecia e me recebeu de braços abertos.. Sou a irmã do meio, a mais velha chama-se Carla e a mais nova Agustina. Tenho o meu lugar no carro, na mesa, um quarto, uma cama, mas mais que isso tive quem tomasse conta de mim. Quem me perguntava como tinha sido o dia, para pôr o casaco porque estava frio, todas essas coisas que às vezes nos parecem chatas e aborrecidas, mas que sentimos falta quando não as temos. Deixo-os com vontade que conhecem também a minha familia, que fiquem em minha casa o tempo que quiserem, que tenham um lugar na mesa e todas essas coisas a que tive direito. Não sei como se agradece isto, não sei porque tudo o que posso fazer ou dar me parece demasiado pouco.
Assim parto amanhã para o Peru, com a certeza que no Chile tenho mais que amigos, tenho uma familia...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nao sei que titulo hei-de-dar a este post, na realidade nao tem um tema, um assunto, mas talvez sejam assim as coisas mais importantes! Hoje escrevo porque tenho que escrever, porque as vezes ha dias que nao se pode guardar dentro de nos aquilo que sentimos, aquilo que nos enche, aquilo que nos move. Vivemos a dormir e julgamo-nos bem acordados todo o tempo. Mas as coisas passam-nos ao lado. Quando realmente pensamos que vivemos tudo, que sentimos tudo o que havia para sentir, entao estamos acabados... Viver plenamente é ter a certeza sempre que ha mais para descobrir, mais para viver. Viver é uma coisa tao simples, que nos esquecemos da sua simplicidade. Viver é ter sonhos e fazer os outros sonhar. Viver é isto, parar, sentar-me e escrever, porque sim, nao tem que ter explicacao.
Tantas vidas que passam pela nossa vida que nos fazem viver que nos fazem sonhar e nós sempre indiferentes.. Que indeferenca esta que nao nos deixa ir mais longe, percorrer o mundo, dar a nossa vida. Que indeferenca esta que nos fecha, que nos afasta!E os dias vao passando, nos tornamos preguicosos, nos tornamos comodos, nos tornamos naquilo que nao sonhamos ser.  Por isso hoje digo e decido: Quero viver!!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Afinal estava escondida...

Desde que cá que cheguei que me tenho perguntado onde está a pobreza??!! Em todos os lados por onde ando não há pessoas na rua a pedir, no metro e no autocarro é só pessoas bem vestidas ou meninos de farda... Mas ela tem que estar em algum lado?!! Vou trabalhar com eles? Não percebia!
Até que um dia....Ela apareceu! No fim da linha do metro ali estava o sitio! Outra cidade, os edificios altos já não existiam, em vez disso estavam barracões. Gente por todo o lado na rua a pedir dinheiro, descalços, com a roupa rota. Camiões e camionetas de um lado para o outro... Não entendi! Não saiem daqui? Caminhava sozinha, estava meia perdida, mas mais que isso estava revoltada, chocada! Pensava que os ghettos já não existiam, que já tinhamos ultrapassado isso, mas afinal não! A pobreza está escondida, para que ninguém veja, para que se ande pela cidade e tudo pareça perfeito! Demasiado perfeito para que se desconfiasse!
Voltei para casa! Não conseguia suportar o que via!! Agora preparo-me, vai ser onde vou passar a minha próxima semana! Mas foi para isso que vim, para estar com essas pessoas, as que estão escondidas, que não se vêem, a quem o mundo lhes fecha a porta!

A América do Norte chegou ao Sul!

Estou em Santiago do Chile há uma semana. Outro mundo, outra américa! Aqui os prédios são todos modernos e altos, muitos edificios de escritórios, o metro é novo e em todo o lado há internet wifi. Onde vim parar, será que subi demais??!! Mas parece que não, na rua ouve-se espanhol, a movida é latina... Sempre em festa, qualquer pretexto serve para se juntarem, umas cervejas, uma comidita e está feita a festa! Asi me gusta! Um novo sítio, novos amigos, novos costumes....

quinta-feira, 9 de junho de 2011

23 anos e uma vida...

Se viajar durante 5 meses é uma experiência inesquecivel, fazer anos durante essa viagem ainda lhe traz um toque mais especial.
Um ano que começa em viagem, que quero eu de melhor? Um ano que começa com um percurso ainda incerto, sem saber muito bem onde vou estar nos próximos dias e nos próximos meses. A certeza que o futuro é incerto e que temos a liberdade de escolher os nossos caminhos, que a nossa vida depende muito de com quem nos cruzamos e de casualidades que nos trazem coisas boas... Começar um ano assim só poder significar que se entra com o pé direito! Não sei onde estarei precisamente daqui a um ano, mas isso pouco importa, gosto do futuro incerto, gosto de de nao ter a certeza de tudo, gosto de saber que tenho mais um ano para crescer, descobrir, conhecer. O meu lugar no mundo não está decidido, se é que o de alguém está...Assim podemos sonhar, podemos projectar, podemos mudar, arriscar, saber que a vida pode tomar muitos rumos e temos toda a liberdade para sermos felizes... Gosto de ter 23 anos e de me sentir pequena e grande! De viajar sozinha e estar sempre acompanhada! Gosto de ser assim, sem mais, nem menos do que tenho hoje. Gosto de partilhar com os outros, gosto de falar, gosto de sorrir! Assim ter 23 anos é ter mundo pela frente!