Escrevi, apaguei, voltei a escrever e apaguei. Sinal que a partida não é fácil, que há muitas coisas para dizer, mas que todas as palavras não chegam e se tenta explicar da forma mais simples que se consegue. Durante este último mês estive a viver no Chile, em Santiago. Fiquei em casa de uma família que não me conhecia e me recebeu de braços abertos.. Sou a irmã do meio, a mais velha chama-se Carla e a mais nova Agustina. Tenho o meu lugar no carro, na mesa, um quarto, uma cama, mas mais que isso tive quem tomasse conta de mim. Quem me perguntava como tinha sido o dia, para pôr o casaco porque estava frio, todas essas coisas que às vezes nos parecem chatas e aborrecidas, mas que sentimos falta quando não as temos. Deixo-os com vontade que conhecem também a minha familia, que fiquem em minha casa o tempo que quiserem, que tenham um lugar na mesa e todas essas coisas a que tive direito. Não sei como se agradece isto, não sei porque tudo o que posso fazer ou dar me parece demasiado pouco.
Assim parto amanhã para o Peru, com a certeza que no Chile tenho mais que amigos, tenho uma familia...
quarta-feira, 29 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Nao sei que titulo hei-de-dar a este post, na realidade nao tem um tema, um assunto, mas talvez sejam assim as coisas mais importantes! Hoje escrevo porque tenho que escrever, porque as vezes ha dias que nao se pode guardar dentro de nos aquilo que sentimos, aquilo que nos enche, aquilo que nos move. Vivemos a dormir e julgamo-nos bem acordados todo o tempo. Mas as coisas passam-nos ao lado. Quando realmente pensamos que vivemos tudo, que sentimos tudo o que havia para sentir, entao estamos acabados... Viver plenamente é ter a certeza sempre que ha mais para descobrir, mais para viver. Viver é uma coisa tao simples, que nos esquecemos da sua simplicidade. Viver é ter sonhos e fazer os outros sonhar. Viver é isto, parar, sentar-me e escrever, porque sim, nao tem que ter explicacao.
Tantas vidas que passam pela nossa vida que nos fazem viver que nos fazem sonhar e nós sempre indiferentes.. Que indeferenca esta que nao nos deixa ir mais longe, percorrer o mundo, dar a nossa vida. Que indeferenca esta que nos fecha, que nos afasta!E os dias vao passando, nos tornamos preguicosos, nos tornamos comodos, nos tornamos naquilo que nao sonhamos ser. Por isso hoje digo e decido: Quero viver!!
Tantas vidas que passam pela nossa vida que nos fazem viver que nos fazem sonhar e nós sempre indiferentes.. Que indeferenca esta que nao nos deixa ir mais longe, percorrer o mundo, dar a nossa vida. Que indeferenca esta que nos fecha, que nos afasta!E os dias vao passando, nos tornamos preguicosos, nos tornamos comodos, nos tornamos naquilo que nao sonhamos ser. Por isso hoje digo e decido: Quero viver!!
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Afinal estava escondida...
Desde que cá que cheguei que me tenho perguntado onde está a pobreza??!! Em todos os lados por onde ando não há pessoas na rua a pedir, no metro e no autocarro é só pessoas bem vestidas ou meninos de farda... Mas ela tem que estar em algum lado?!! Vou trabalhar com eles? Não percebia!
Até que um dia....Ela apareceu! No fim da linha do metro ali estava o sitio! Outra cidade, os edificios altos já não existiam, em vez disso estavam barracões. Gente por todo o lado na rua a pedir dinheiro, descalços, com a roupa rota. Camiões e camionetas de um lado para o outro... Não entendi! Não saiem daqui? Caminhava sozinha, estava meia perdida, mas mais que isso estava revoltada, chocada! Pensava que os ghettos já não existiam, que já tinhamos ultrapassado isso, mas afinal não! A pobreza está escondida, para que ninguém veja, para que se ande pela cidade e tudo pareça perfeito! Demasiado perfeito para que se desconfiasse!
Voltei para casa! Não conseguia suportar o que via!! Agora preparo-me, vai ser onde vou passar a minha próxima semana! Mas foi para isso que vim, para estar com essas pessoas, as que estão escondidas, que não se vêem, a quem o mundo lhes fecha a porta!
Até que um dia....Ela apareceu! No fim da linha do metro ali estava o sitio! Outra cidade, os edificios altos já não existiam, em vez disso estavam barracões. Gente por todo o lado na rua a pedir dinheiro, descalços, com a roupa rota. Camiões e camionetas de um lado para o outro... Não entendi! Não saiem daqui? Caminhava sozinha, estava meia perdida, mas mais que isso estava revoltada, chocada! Pensava que os ghettos já não existiam, que já tinhamos ultrapassado isso, mas afinal não! A pobreza está escondida, para que ninguém veja, para que se ande pela cidade e tudo pareça perfeito! Demasiado perfeito para que se desconfiasse!
Voltei para casa! Não conseguia suportar o que via!! Agora preparo-me, vai ser onde vou passar a minha próxima semana! Mas foi para isso que vim, para estar com essas pessoas, as que estão escondidas, que não se vêem, a quem o mundo lhes fecha a porta!
A América do Norte chegou ao Sul!
Estou em Santiago do Chile há uma semana. Outro mundo, outra américa! Aqui os prédios são todos modernos e altos, muitos edificios de escritórios, o metro é novo e em todo o lado há internet wifi. Onde vim parar, será que subi demais??!! Mas parece que não, na rua ouve-se espanhol, a movida é latina... Sempre em festa, qualquer pretexto serve para se juntarem, umas cervejas, uma comidita e está feita a festa! Asi me gusta! Um novo sítio, novos amigos, novos costumes....
quinta-feira, 9 de junho de 2011
23 anos e uma vida...
Se viajar durante 5 meses é uma experiência inesquecivel, fazer anos durante essa viagem ainda lhe traz um toque mais especial.
Um ano que começa em viagem, que quero eu de melhor? Um ano que começa com um percurso ainda incerto, sem saber muito bem onde vou estar nos próximos dias e nos próximos meses. A certeza que o futuro é incerto e que temos a liberdade de escolher os nossos caminhos, que a nossa vida depende muito de com quem nos cruzamos e de casualidades que nos trazem coisas boas... Começar um ano assim só poder significar que se entra com o pé direito! Não sei onde estarei precisamente daqui a um ano, mas isso pouco importa, gosto do futuro incerto, gosto de de nao ter a certeza de tudo, gosto de saber que tenho mais um ano para crescer, descobrir, conhecer. O meu lugar no mundo não está decidido, se é que o de alguém está...Assim podemos sonhar, podemos projectar, podemos mudar, arriscar, saber que a vida pode tomar muitos rumos e temos toda a liberdade para sermos felizes... Gosto de ter 23 anos e de me sentir pequena e grande! De viajar sozinha e estar sempre acompanhada! Gosto de ser assim, sem mais, nem menos do que tenho hoje. Gosto de partilhar com os outros, gosto de falar, gosto de sorrir! Assim ter 23 anos é ter mundo pela frente!
Um ano que começa em viagem, que quero eu de melhor? Um ano que começa com um percurso ainda incerto, sem saber muito bem onde vou estar nos próximos dias e nos próximos meses. A certeza que o futuro é incerto e que temos a liberdade de escolher os nossos caminhos, que a nossa vida depende muito de com quem nos cruzamos e de casualidades que nos trazem coisas boas... Começar um ano assim só poder significar que se entra com o pé direito! Não sei onde estarei precisamente daqui a um ano, mas isso pouco importa, gosto do futuro incerto, gosto de de nao ter a certeza de tudo, gosto de saber que tenho mais um ano para crescer, descobrir, conhecer. O meu lugar no mundo não está decidido, se é que o de alguém está...Assim podemos sonhar, podemos projectar, podemos mudar, arriscar, saber que a vida pode tomar muitos rumos e temos toda a liberdade para sermos felizes... Gosto de ter 23 anos e de me sentir pequena e grande! De viajar sozinha e estar sempre acompanhada! Gosto de ser assim, sem mais, nem menos do que tenho hoje. Gosto de partilhar com os outros, gosto de falar, gosto de sorrir! Assim ter 23 anos é ter mundo pela frente!
terça-feira, 31 de maio de 2011
Montevideo!
Montevideo sem tempo! Se no inicio achava que a cidade parou no tempo, agora fui eu que decidi parar com ela. Esta semana não há viagens, não há trabalho! Uma semana para ler, passear de mate na mão, descobrir uma cidade que me fez sentir verdadeiramente em casa durante um mês. Aproveitar o sol de inverno na Rambla, escrever, olhar para as pessoas e imaginar histórias, vidas. Andar a pé e saber onde estou, já não é desconhecido! Volta e meia uma cara conhecida, a senhora do supermercado, o café da esquina... O autocarro que sai de meia em meia hora e um caminho que já tem os seus cheiros e passagens que me leva de novo onde já tive! Uma semana para dormir até tarde, onde os sonhos se misturam já com lembranças, com contos, com músicas!
Procuramos, descobrimos, o novo chama-nos, mas há uma altura em que voltamos, nos refugiamos...Quase com uma necessidade de que esteja tudo igual para nos voltarmos a sentir em casa!
Assim é, esta semana estou por Montevideo outra vez, próxima semana volto a partir e aí já só volto para me sentir em casa em Portugal!
A saída do campo!
Três semanas no campo e fiquei conquistada! Não sei bem agora se sou mulher da cidade ou do campo! Talvez dos dois sítios! Digo-vos andar perdida no meio das montanhas, acordar cedo, ouvir os tractores a passar, sair do refeitório e ter ovelhas a pastar são coisas com que me fui identificando ao longo das três semanas que estive na Patagonia. Saber que o sol lá é preguiçoso porque só se levanta às oito e deita-se logo às 5, dava-me mais tempo para contemplar o céu estrelado do Sul cheio de desenhos e formas desconhecidas. Conversas sobre o estado dos países, sobre plantas, um bocadinho de tudo se ia aprendendo. Se as crianças nos marcam pela sua beleza e simplicidade, os adultos igualmente nos vão marcando pelo seu serviço e dedicação. E voltas?!? É sempre a pergunta que deixa uma resposta no ar, que temos vontade de dizer que sim, mas não sabemos! e por isso fica sempre no ar um "Nos Vemos!" como amanhã o despertador voltasse a tocar as seis e meia da manhã, o sol se levantasse tarde e os tractores voltassem a funcionar!!
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